Cenários para Marta

Derrotada pelas urnas em São Paulo, quais são os cenários políticos de Marta Tereza?

Não serão o que pretende, pois os 2 milhões de votos só tem importância para uma nova eleição municipal (ou seja, em 2008).

A sua dificuldade em fazer composições politicas a exclui da presidência do partido, que terá que caminhar no sentido de um entendimento com os grandes partidos, para garantir a governabilidade de Lula. Também fica em plano secundário na disputa pela candidatura ao Governo do Estado, que tem - no momento - como candidato mais forte o único nome nacional vitorioso nas eleições municipais: João Paulo Cunha.

Um cenário provável é uma candidatura à Câmara dos Deputados em 2006 da qual dependerá a sua possibilidade ou não de retorno à disputa pela Prefeitura de São Paulo.

O seu objetivo, no entanto, é outro: irá insistir na sua candidatura ao Governo de São Paulo.



Escrito por Jorge Hori às 11h23
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Eleições de 2006

Resolvida a eleição municipal, os olhos se voltam para as eleições gerais de 2006.

Para a Presidência, a menos de algum "grande desastre" Lula será o candidato do PT e precisa de um importante apoio em São Paulo.

As coligações serão costuradas na cúpula em Brasíia, sendo a mais importante a eventual aliança com o PMDB. Uma coligação difícil, em que o Governo fará todo esforço para que não para o adversário.

Em São Paulo o PT precisará de um candidato que una e some e não que queira ganhar sozinho. Nesse quadro, Marta dificilmente será a candidata do PT, apesar da simpatia pessoal de Lula. Seu destino não é dos mais brilhantes, à medida que ficam evidenciadas as razões de sua derrota, apesar da elevada aceitação da sua administração.

Em 2006, a menos de um grande desastre da Administração Serra, as suas realizações ficarão esmaecidas e o "estilo de governar de Marta" poderão não ter apelo eleitoral.

Ficarão as sequelas da auto-suficiência em recusar a aliança com o PMDB (e depois, aceitar o apoio de Maluf) e o estilo pessoal (fator de rejeição).

Não tem o perfil de capacidade de articulação, para ser Presidente do PT. Resta uma acomodação no Ministério, o que encontra resistência de todas as demais alas do PT que já estão com cargos, pois ninguém quer abrir mão dos lugares a seu favor: "cavalheirismo político está fora da moda".

O cenário mais provável é uma candidatura para deputada federal, cujo desempenho eleitoral em 2006 será o indicador para o seu eventual retorno à Prefeitura de São Paulo. Terá como concorrentes dentro do PT, que visam, também a Prefeitura, José Eduardo Cardozo e, possivelmente, Arselino Tatto. O primeiro é um dos nomes para trazer a classe média de volta ao PT.

A perda de apoio (ou pior, a rejeição) da classe média foi a principal razão - quantitativa - para a derrota de Marta.

O candidato do PT para o Governo de São Paulo deverá sair entre José Genoino, Aluisio Mercadante e João Paulo Cunha. Desses três o último é o único vencedor, com a vitória de Emidio, seu puplio, em Osasco. Os dois primeiros ficaram desgastados com a derrota de Marta.

Na linha da costura política, João Paulo é o mais cotado. A outra avaliação será da sua densidade eleitoral. Essa dependerá das condições pessoais e da capacidade de "costurar" os apoios dos Prefeitos vencedores.

O PSDB só tem um candidato forte: Geraldo Alckmin, que - provavelmente - será candidato do PSDB à Presidência.

O candidato do PSDB ao Governo será alguém afinado com o Governador, a quem ele possa transferir os seus votos. Será o grande eleitor.

Um dos cenários prováveis é um jovem de sua equipe de governo. O outro é um dos caciques do PSDB. Mantendo a tradicional coligação com o PFL, a composição poderá conjugar os dois cenários.

O PFL perdeu espaço no quadro político nacional e terá que buscar uma coligação para as eleições de 2006. Dificilmente terá condições de saír com candidatos próprios, seja para Presidente (o único com alguma condição é Cesar Maia) como para o Governo de São Paulo.

O PMDB tem um candidato natural: Michel Temer, cujo posicionamento dependerá da sua receptividade eleitoral.



Escrito por Jorge Hori às 10h45
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